quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Se aposentar? Qualidade de vida? Largar tudo?


Começo esse post com essa foto. Ela foi tirada pela minha irmã que está na Nova Zelândia fazendo a viagem dos sonhos de, arrisco eu dizer, mais da metade dos habitantes do nosso planeta.

Ontem ouvindo à CBN o programa Dia a Dia da Economia com a Miriam Leitão, ela falou uma coisa que me deixou intrigado.

Ela presenciou uma conversa no avião de duas pessoas (52 e 48 se não me engano) que falavam sobre as mudanças na previdência e como eles estavam indignados com o governo, pois queriam se aposentar logo. Isso a deixou perplexa, pois nessa idade, ainda somos muito produtivos e o Brasil precisa mais de trabalhadores que de aposentados.

Sozinho no carro concordei imediatamente e ao mesmo tempo tive um sentimento de que, se eu pudesse, também me aposentaria (tenho 42). Me vi aí em um dilema e resolvi parar para analisar os fatos, minha vida e esse sentimento.

Hoje cheguei à uma conclusão e resolvi compartilhar.

Tenho quase certeza que o "rapaz" de 48 anos não quer se aposentar para receber sem fazer nada e passar a viver às custas do estado. Pelo menos não é esse sentimento que eu tenho ou que vejo em amigos que estão próximos da aposentadoria.

Todos querem continuar trabalhando, só que "naquilo que gostam" ou pelo menos com menos intensidade.

Analisando um pouco mais, percebi que o que as pessoas realmente querem é diminuir a pressão das contas no fim do mês. A preocupação com dinheiro

Temos uma carga de impostos altíssima de mais de 33%. Se somarmos ainda a conta dos serviços que essa carga tributária deveria nos fornecer (saúde, educação e segurança, por exemplo), com certeza chegaremos a 75% do orçamento doméstico.

Meu caso: dois filhos em escolas particulares para garantir um ensino melhor. O próprio governo admite isso quando oferece cotas em faculdades para quem estudou em escola pública.
Plano de saúde para a família toda e nem preciso explicar porque.
E a questão da segurança, já que a falta dela torna os meus seguros (residencial e automotivo) mais caros e praticamente me obriga a morar em condomínio fechado (adoraria morar na rua e não precisar pagar mais essa taxa)

Dos 25% que sobram tiramos as demais contas (alimentação, vestuário e transporte), quanto sobra para o lazer? Quando o governo acha que eu devo começar a me divertir? 65?

O ponto não é se aposentar para se divertir. Não quero ter uma vida tranquila quando tiver dificuldades de andar ou quando já não tiver mais condições para fazer uma caminhada por uma trilha.

As pessoas querem viver bem desde já e tenho certeza que pessoas felizes trabalhariam com prazer mesmo depois dos 65 anos. Vejo meu pai com 70 procurando emprego e ávido para ser produtivo. Primeiro por que ele precisa financeiramente e segundo por que ele gosta de trabalhar.

Poucas são as pessoas que se aposentam e realmente não fazem mais nada, aliás, essa é a melhor forma de adoecer mental e fisicamente. Ficar sem fazer nada!

Conversando com os amigos, tenho ainda mais convicção do que estou falando. Mais e mais pessoas querem vender tudo, simplificar a vida para viver melhor.

Na Austrália, soube que empregos que não exigem alto grau de escolaridade pagam o suficiente para que as pessoas vivam decentemente. É possível morar, se alimentar e, eventualmente, viajar.
Essas pessoas não andam em carros de luxo, é verdade, mas estão felizes com suas escolhas. Assim elas continuam fazendo a sua parte, trabalhando, contribuindo e o governo a parte dele, fornecendo infraestrutura, estabilidade econômica e serviços de qualidade.

Então o ponto principal é, não quero me aposentar para parar de trabalhar. Aliás, queria trabalhar até morrer. O que não quero é morrer de trabalhar, chegar no fim do mês e ter que fazer conta. Dizer não para algum desejo do meu filho porque "esse mês não dá" e mesmo trabalhando muito, ter a sensação de que a vida está passando e eu não estou vivendo

Quero fazer a minha parte, mas quero que o governo faça a dele e assim ter uma vida feliz, intensa e produtiva. Acredito que o problema da previdência, é bem mais embaixo e não um simples desequilíbrio entre despesas e receitas. É preciso repensar no modelo como um todo, mas isso fica para outro post.

Sobre repensar a vida, seguem mais algumas imagens da Nova Zelândia!






Abraços a todos

2 comentários :

Rosalva Maria Silva e Silva disse...

Concordo com vc em gênero, numero e grau.Exatamente o mesmo que pensamos seu pai e eu. Filho de tigre é listrado mesmo!!

Paula Carvalho disse...

Muito boa reflexão deste post. Difícil não pensar em se aposentar quando se é profissional de TI ou da área da saúde, profissões que encontram no topo da lista das mais estressantes. Em um país ameaçado pela falta de segurança, dificuldades sociais e econômicas, s/ perspectivas futuras, 70% da população sofre com alto nível de tensão. Quem consegue seguir os passos para uma boa qualidade de vida? Horas de sono, alimentação adequada, lazer, tempo para família e amigos... A competitividade do setor privado e e as condições de trabalho ruins para o servidor público não atraem ninguém a longo tempo de carreira. Eu também quero estar com saúde para viver a vida.